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LEITE/CEPEA: Captação cai pelo 3º mês e preço ao produtor sobe 7,7%

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Cepea, 30/04/2018 – A captação de leite no campo seguiu em queda pelo terceiro mês seguido e o preço recebido em abril registrou a terceira alta consecutiva. A “Média Brasil” líquida (inclui BA, GO, MG, SP, PR, SC e RS) fechou a R$ 1,1574/litro, aumento de 7,72% (ou de 8 centavos/l) em relação ao mês anterior, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. Esta é a maior média dos últimos oito meses, em termos reais (deflação pelo IPCA de março/18), sendo 10,3% inferior à de abril de 2017 e próxima da observada em abril de 2016. No acumulado deste ano, a valorização do leite ao produtor chega a quase 15% na “Média Brasil”.

 

Todos os estados acompanhados pelo Cepea apresentaram alta nas cotações, com destaque para o Rio Grande do Sul (onde a elevação foi de 10,1%), Goiás (9,7%), Paraná (9%) e Minas Gerais (7,6%). A considerável recuperação dos preços no campo neste mês esteve atrelada à maior competição entre empresas em função da redução da oferta de leite no campo.

 

O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) registrou a terceira queda consecutiva em março, recuando expressivos 7,2% frente a fevereiro na “Média Brasil”. Rio Grande do Sul, Paraná e Goiás apresentaram quedas acima da “média Brasil”, de 9%, 8,4% e 8,3%, respectivamente. Na sequência, ficaram Bahia, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais, com 7%, 6,9%, 6% e 5,9%. Nos primeiros quatro meses do ano, o ICAP-L já caiu 10,1%.

 

Ao contrário do observado em 2017, o primeiro trimestre de 2018 foi caracterizado pela oferta mais enxuta, impactada, principalmente, pela descapitalização de produtores. Os baixos preços recebidos no ano passado desestimularam a atividade e reduziram os investimentos. Muitos produtores saíram da atividade e o abate de vacas aumentou. Para os próximos meses, os menores volumes de chuvas, as temperaturas mais amenas e a menor qualidade das pastagens devem se intensificar, diminuindo ainda mais a oferta no campo.

 

A elevação do preço ao produtor também ocorreu como reflexo da valorização dos lácteos nos últimos meses. O acompanhamento das negociações do leite UHT (longa vida), principal lácteo negociado no País, evidencia isso. Segundo pesquisa diária do Cepea em parceria com a Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), a média de abril (até o dia 27) do UHT negociado entre indústrias e atacado do estado de São Paulo foi 4,4% maior que a de março, chegando a R$ 2,40/litro. De acordo com agentes de mercado, a demanda ainda está se recuperando, mas, em comparação com os últimos seis meses, está mais firme. Vale ressaltar, contudo, que o movimento altista vem perdendo força no mercado do UHT desde a segunda quinzena de abril. Nesse período, as empresas relataram maior necessidade em realizar promoções para garantir liquidez, de modo que, em abril, houve queda de 1,8%.

 

Se por um lado a oferta no campo tende a se reduzir ainda mais nos próximos meses, por outro, o consumidor já mostra dificuldades de absorver novas valorizações dos derivados. A maioria dos agentes consultados acredita em nova alta para o preço ao produtor nos próximos meses, ainda mais por conta do aumento do custo de produção atrelado à alta dos grãos. No entanto, a intensidade das variações vai depender da capacidade dos consumidores em absorver novas altas.

 

ASSESSORIA DE IMPRENSA: Outras informações sobre o mercado lácteo aqui e por meio da Comunicação do Cepea, com a pesquisadora Natália Grigol e Prof. Dr. Sergio De Zen: (19) 3429 8836 / 8837 e cepea@usp.br.

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LEITE/CEPEA: Oferta limitada segue impulsionando cotações ao produtor

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Cepea, 29/06/2018 – Os preços do leite ao produtor em junho (referentes à captação de maio) registraram a quinta alta consecutiva, impulsionados pela menor oferta. De acordo com pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, o valor líquido se elevou em 3,3% frente ao mês anterior, chegando a R$ 1,296/litro “Média Brasil” (inclui BA, GO, MG, SP, PR, SC e RS). Considerando-se o acumulado deste primeiro semestre, a alta é de 28%.

 

O aumento dos preços em junho foi inferior aos registrados nos meses anteriores – em abril e maio, por exemplo, a valorização do leite superou os 7%. Isso ocorreu porque, em maio, quando ocorreu a captação do leite no campo, agentes da indústria relatavam dificuldades em fazer o repasse da valorização da matéria-prima aos derivados, alegando demanda enfraquecida. Com negociações truncadas, a necessidade de realizar promoções freou a valorização do leite spot e também dos derivados, em especial do UHT, fator que limitou a elevação dos preços ao produtor em junho.

 

No entanto, a oferta limitada tem pesado mais que a demanda no processo de formação de preços no campo, ditando a dinâmica do mercado lácteo neste ano. O setor sofre com as consequências dos baixos preços praticados no segundo semestre de 2017, que desestimulou produtores a investirem na atividade. Além disso, com o avanço da entressafra e o aumento dos preços dos grãos entre abril e maio deste ano, a produção foi prejudicada, elevando a competição entre indústrias para assegurar o fornecimento de matéria-prima.

 

Para completar, a greve dos caminhoneiros no final de maio e a consequente interrupção do transporte de leite aos laticínios agravou ainda mais esse cenário. O Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-L) recuou expressivos 14,4% de abril para maio, acumulando queda de 24,1% no ano. Paraná e Minas Gerais foram os estados com maior redução do volume captado, em 20,6% e em 15,1%. O resultado, atípico, esteve atrelado ao grande volume descartado de leite ainda nas propriedades.

 

No correr de junho, os laticínios e canais de distribuição enfrentaram a situação conjunta de esvaziamento de estoques. Como consequência, os preços dos derivados se elevaram consideravelmente. O longa-vida, termômetro para o setor, se valorizou quase 30% na primeira quinzena de junho. Na segunda metade do mês, a valorização foi menos intensa, de 5,8%.

 

Para julho, por sua vez, a competição das empresas em junho para compra do leite com o objetivo de recompor estoques deve sustentar a alta dos preços ao produtor. A alta no próximo mês, inclusive, pode superar a verificada em junho.

 

ASSESSORIA DE IMPRENSA: Outras informações sobre o mercado lácteo aqui e por meio da Comunicação do Cepea, com a pesquisadora Natália Grigol e Prof. Dr. Sergio De Zen: (19) 3429 8836 / 8837 e cepea@usp.br.

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