Agricultura

Cultivo de grão-de-bico é testado no sistema orgânico por agricultores familiares

O produtor Aquiles testa pela primeira vez o cultivo de grão-de-bico

Quatro cultivares de grão-de-bico estão sendo testadas pela primeira vez no sistema orgânico por agricultores familiares, no município de Chapada dos Guimarães (67 km ao Norte de Cuiabá). O pesquisador da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Valter Martins de Almeida, destaca que os experimentos com as leguminosas vão identificar quais cultivares se adaptam melhor às condições de cultivo na região que possui temperaturas amenas e clima seco em determinado período do ano.

O estudo de potencialidade do grão-de-bico começou no mês de maio de 2020, com o plantio das cultivares BRS Cícero, Aleppo, Cristalino e Toro todas oriundas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Segundo Valter, nas áreas que estão sendo conduzidos os experimentos, a colheita já começou com cultivares precoce e a previsão é encerrar a colheita no final do mês de setembro. “Este é o primeiro teste para acompanhar a evolução dos materiais genéticos. No próximo ano serão testados novamente”, esclarece.

O proprietário do Sítio Mata Verde, Aquiles Tomazi, com tradição no cultivo de hortaliças e legumes há 26 anos, cultiva no sistema totalmente irrigado e orgânico e está realizando o teste com as cultivares de grão-de-bico. Ele conta que numa área de 300 metros quadrados foram plantadas as variedades e está conhecendo e aprendendo um pouco sobre o cultivo. “Acredito na diversificação com o grão-de-bico, isso é uma novidade e pode dar certo na nossa região”, salienta.

Leia Também:  Polícia Civil identifica um dos autores de furtos no centro de Rondonópolis

O Sítio possui uma área total de 20 hectares, e em quatro hectares com cultivo irrigado produz alface, rúcula, chicória, escarola, agrião, almeirão, abobrinha verde, pimentão e outros. Toda produção é comercializada em Cuiabá e Várzea Grande para restaurantes e supermercados. Aquiles aguarda os resultados desse primeiro teste que vai selecionar as cultivares mais adaptadas ao clima e solo para realizar no ano de 2021 novos testes.

Arquivo | Empaer

As cultivares de grão-de-bico são oriundas da Embrapa

O outro experimento está sendo testado no Sítio Jamacá Green, que também produz hortaliças no sistema irrigado e orgânico, numa área de um hectare. O produtor Érico Colmam, responsável pelo plantio e colheita das hortaliças está acompanhando os testes com o grão-de-bico. Ele fala que no próximo ano vai reservar uma área para o plantio e tentar novamente o cultivo. “Com essa primeira experiência e aprendizado os próximos testes serão mais fáceis”, explica Érico.

A pesquisadora da Empaer, Maria Elienai Correia, que acompanha o experimento no município, comenta que escolheu as áreas e os produtores rurais que trabalham com produção orgânica certificada e com irrigação. Alguns agricultores ficaram interessados em cultivar o grão-de-bico como mais uma alternativa de lucro e renda. Ela explica que o objetivo é avaliar o potencial produtivo das quatro cultivares em todas as fases, pre-floração, floração, enchimento de grãos e colheita. No final da colheita serão selecionadas as cultivares com melhor adaptação às condições ambientais.

Leia Também:  Mato Grosso registra 140.244 casos e 3.782 óbitos por Covid-19

De acordo com a pesquisadora, o grão-de-bico tem ciclo anual e pode alcançar até 60 centímetros de altura. Elienai ressalta que a leguminosa é rica em proteínas e muito consumida na alimentação podendo ser misturada com outros alimentos como hortaliças, carnes, molhos e condimentos. Os grãos podem ser descascados e triturados para fazer sopas, pastas ou sobremesas. A farinha de grão-de-bico pode ser usada como ingredientes na fabricação de pães e bolos.

Comentários Facebook

Agricultura

Praga, queda na produção e seca elevam preço da mandioca em 238%

A mandioca, raiz tradicionalmente cultivada na agricultura familiar, está em escassez em Mato Grosso. A seca prolongada, a incidência de pragas e a pandemia provocaram a queda na produção da mandioca no Estado, e consequentemente causaram a elevação do preço da raiz em 238% em apenas cinco meses.

Em maio a saca de 50 kg da raiz era vendida a R$ 42. Nesta semana, essa mesma quantidade está sendo vendida a R$ 140, conforme aponta a cotação de preços da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), realizada na Central de Abastecimento de Cuiabá, que abastece o comércio atacadista e varejista de hortifrutigranjeiros da capital e região.

Com a falta da mandioca para abastecer o mercado interno, o comércio está tendo de importar de outros estados. “A grande maioria da mandioca que hoje é consumida em Mato Grosso tem vindo do Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás”, comenta a técnica de Desenvolvimento Econômico Social da Seaf, Doraci Maria de Siqueira.

Ainda segundo a técnica da Seaf, outros fatores têm causado também a escassez da mandioca em Mato Grosso. A redução da área plantada e também da produção são outros fatores apontados. “Além disso, para arrancar a mandioca do chão é preciso muita força, e a grande maioria dos produtores familiares não têm condições de adquirir maquinários para isso e estão acima dos 50 anos, tornando a colheita um serviço muito pesado, por ser algo que exige força”, comenta.

Leia Também:  Em barreira, policiais percebem motorista manuseando pistola enquanto dirigia

Pagando mais caro pela mandioca, os comerciantes da área de alimentação têm evitado de repassar o aumento do produto aos clientes nesse momento. A empresária Priscilla Sá, proprietária da Moinho Espeto, explica que tal decisão é para evitar o ‘sumiço’ dos consumidores pós pandemia, período em que o comércio começa a dar sinal de recuperação.

“Subiu o arroz, a carne, o limão e agora a mandioca. Estamos segurando ao máximo reajustar esses aumentos nos nossos produtos para não espantar os clientes. A previsão junto aos nossos fornecedores é que no mês que vem o preço da mandioca recue e estamos contando com isso para mantermos os mesmos valores dos nossos espetos”, comenta Priscilla Sá.

Cotação

A cotação de preços dos principais produtos da agricultura familiar é realizada semanalmente, toda terça-feira a partir 5 horas, por técnicos da Seaf, Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) e prefeitura de Cuiabá.

A pesquisa de preço é realizada na Central de Abastecimento de Cuiabá, levando em conta o preço mínimo, mais comum e o preço máximo dos produtos encontrados nas barracas em três horários distintos durante o período matutino.

Leia Também:  Polícia Civil identifica um dos autores de furtos no centro de Rondonópolis

Para acessar o preço de todos os 69 produtos divulgados pela cotação regional dos preços do Prohort clique AQUI!

Esta regulação é fundamental para garantir a qualidade do preço, evitando crimes contra a economia popular e valorizando o esforço e trabalho do homem do campo.

Comentários Facebook
Continue lendo

RONDONÓPOLIS

POLÍTICA

MATO GROSSO

POLICIAL

MAIS LIDAS DA SEMANA