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Professora de escola de campo percorre 12 quilômetros para dar aulas pela internet

Todos os dias a professora de história Erliete Pissinini Porto percorre 12 quilômetros na garupa da motocicleta dos seu marido para chegar no Centro de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação Básica (Cefapro) de Alta Floresta. Residindo em uma chácara sem acesso a internet, ela precisa ir até o Cefapro para dar aulas para os seus alunos da Escola Estadual de Campo Guimarães Rosa. Utilizando a plataforma Microsoft Teams ela consegue chegar a um grande número de alunos que seguem acompanhando as aulas remotas. Quem não tem acesso à internet estuda com material impresso.

O trajeto percorrido por Erliete chega a ser curto, se comparado ao período das aulas presenciais, quando precisava percorrer 40 km até a Comunidade de Santa Lúcia, onde fica a escola Guimarães Rosa. “Tenho que acordar cedo, tiro meu marido da rotina para que eu esteja no horário de atendimento aos meus alunos. As aulas do período matutino começam às 07h e eu já estou com o computador ligado aguardando os alunos. Quando tenho aula à tarde, só saio às 17h”, ressalta.

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Nesse período, a professora mostra sua competência ao elaborar uma apostila, de acordo com as habilidades orientadas pela Seduc. Erliete ressalta que é preciso conscientizar os alunos para acessar as aulas online, pois muitos resistes em usar a tecnologia para os estudos.

Pandemia muda tudo

O ano letivo de 2020 teve muitos obstáculos a serem vencidos. Muitas atividades foram suspensas neste ano.

A olímpiada de história, por exemplo, a professora teve que excluir alguns alunos porque não possuem acesso à internet. No ano passado, essa questão não existia. “Doeu, doeu muito. A pandemia mudou tudo”, comenta.

Erliete lembra que a maioria dos seus alunos têm acesso à internet, mas usam a tecnologia para as redes sociais e principalmente para jogos. Por isso, é preciso criar uma cultura de estudo à distância usando a internet.

“Os meus alunos têm a cultura do uso da tecnologia sim, mas eles não estão acostumados com essa tecnologia para estudar, principalmente escola do campo, pois a escola normalmente oferece a base que eles precisam. Numa escola urbana, o pai baixa o arquivo digital da de uma apostila, passa numa papelaria e manda imprimir. Os nossos alunos não têm isso, pois dependem de ir na escola, buscar apostila, levar para casa. São mais dependentes de que as escolas urbanas. Daí a necessidade do uso da tecnologia para estudar”, salienta.

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Dois lados da moeda

Para Erliete, usar a internet do Cefapro tem os dois lados da moeda – ao mesmo tempo que tem uma conexão segura, por outro, tem horário limitado de atendimento aos seus alunos. As mensagens só são respondidas no momento em que a professora está online.

“Temos um cronograma que a coordenadora fez, então nós temos os horários já montados até o ano que vem. E então toda a tarde eu tenho que estar disponível sempre para uma turma diferente. Nesse período a gente fica disponível para que os alunos peçam ajuda”, destaca.

A Escola de Campo Guimarães Rosa em Alta Floresta

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Brasil

Pesquisa investiga transmissão de covid-19 entre homens e animais

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) quer saber qual o risco de transmissão da covid-19 entre humanos e animais de estimação. Para obter a resposta, a instituição coordena uma pesquisa nacional que vai avaliar cerca de mil animais, cujos donos tiveram diagnóstico positivo para o novo coronavírus, confirmado por exame laboratorial.

Sob coordenação do professor Alexander Welker Biondo, os pesquisadores farão testes gratuitos, por swab (coleta de amostra viral de orofaringe e nasofaringe) e sorológico, em cães e gatos em cinco capitais brasileiras: Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Recife (PE) e São Paulo (SP).

Serão dois momentos de avaliação, com amostras biológicas coletadas com intervalo médio de sete dias, entre animais cujo tutor esteja em isolamento domiciliar, com diagnóstico confirmado.

Voluntários

Para ter mais informações sobre participação na pesquisa, o interessado pode enviar um e-mail para covid19@ufpr.br. Além de cumprir cumprir todos os requisitos, deve informar seu número de celular, e-mail, nome do tutor e do animal e especificar se é cão ou gato. A equipe do projeto entrará em contato o mais rapidamente possível. Os selecionados serão orientados sobre procedimento para a coleta de amostras.

Eles também serão informados sobre os aspectos envolvidos no estudo e, caso concordem com o protocolo da pesquisa, devem assinar o termo de consentimento livre e esclarecido e responder a um questionário para determinar as características ambientais e outros fatores associados à infecção nos animais.

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Resultados

Os resultados dos testes serão informados aos tutores ou familiares através de contato telefônico e pela emissão de laudo eletrônico, que será enviado por e-mail ou aplicativo de comunicação. Em caso positivo, os demais animais da residência também serão testados . Além disso, os familiares serão orientados a estabelecer o acompanhamento veterinário por 14 dias, intensificando medidas de higiene e proteção individual e coletiva.

Itália

O estudo brasileiro será o primeiro do gênero em um país tropical, já que algo semelhante só foi desenvolvido na Itália, segundo a UFPR. Segundo o professor Biondo, aquele país trabalhou com uma amostra de 817 animais. Nenhum foi positivo no PCR, mas 3.4% dos cães e 3.9% dos gatos apresentaram anticorpos contra o SARS-CoV-2. “Até o final de 2020, esperamos ter [no Brasil] em torno de mil amostras nas cinco capitais estaduais”, afirmou o pesquisador.

A definição do número amostral levará em conta o total de indivíduos positivos no trimestre anterior à coleta, considerando aproximadamente 10% do total de casos em humanos.

Minas

A pesquisa, financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Ministério da Saúde tem, em Belo Horizonte, a colaboração da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), por meio do Laboratório de Epidemiologia de Doenças Infecciosas e Parasitárias do Departamento de Parasitologia.

Na avaliação do professor David Soeiro, coordenador do estudo em MG, considerando os recentes relatos sobre a detecção do novo coronavírus em animais de estimação e a grande proximidade entre eles e seus tutores, é importante elucidar aspectos da história natural da doença, como o possível ciclo zooantroponótico em estudo multicêntrico para a vigilância de Sars-CoV-2 em pets. As amostras obtidas no projeto serão preservadas de modo a também estabelecer um banco para estudos posteriores.

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Primeiro caso

Neste mês foi diagnosticado, em uma gata, de Cuiabá (MT), o primeiro caso de covid-19 em animal no país . Diante do caso, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Mato Grosso (CRMV-MT) emitiu nota na qual destaca que não há evidências científicas de que animais de companhia são fonte de infecção para humanos.

No documento, o CRMV-MT, lembrou que a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiram pareceres afirmando que não há evidências e estudos significativos comprovando que animais possam transmitir a covid-19.

Assim, segundo o Conselho, como não há evidência científica de que animais sejam vetores mecânicos ou possam carregar o vírus, ou que o vírus possa se replicar nos animais. “O que observa-se, desde o surgimento da pandemia, é que os poucos animais com a infecção podem ter sido infectados por humanos, por meio do contato direto, e não o inverso”, acrescenta a nota.

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