Por João Bosco Campos
Rondonópolis consolidou-se, ao longo das últimas décadas, como um dos principais polos econômicos de Mato Grosso. Sua força no agronegócio, na logística, no comércio, na indústria e nos serviços sustenta cadeias produtivas estratégicas para o estado e para o país. Ainda assim, a cidade convive com uma contradição grave: permanece sem um campus estruturado da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT).
Essa ausência não é detalhe administrativo. É falha histórica de planejamento. É sinal de prioridades equivocadas. É obstáculo direto ao desenvolvimento humano, tecnológico e social da região.
Uma cidade que gera riqueza precisa, necessariamente, gerar conhecimento.
Precisa formar seus próprios profissionais, produzir pesquisa aplicada, estimular inovação e oferecer oportunidades reais à juventude. Sem universidade pública forte, o resultado é conhecido: fuga de talentos, escassez de mão de obra qualificada, dependência externa e desigualdade de oportunidades.
A instalação de um campus da UNEMAT em Rondonópolis não pode ser tratada como favor político ou promessa eleitoral. Trata-se de política pública estruturante, de projeto de Estado, de investimento com retorno garantido.
Universidades públicas são motores de desenvolvimento. Elas movimentam a economia local, geram empregos, atraem investimentos, fortalecem o serviço público, qualificam o setor produtivo e promovem inclusão social. Onde há campus universitário consolidado, há dinamismo econômico, inovação e crescimento sustentável.
Rondonópolis reúne todas as condições para sediar esse projeto: densidade populacional, centralidade regional, base produtiva diversificada, infraestrutura urbana e demanda social evidente. O que falta, portanto, não é viabilidade. Falta decisão política.
Por anos, o tema foi empurrado para frente com discursos genéricos, estudos inconclusos e promessas não cumpridas. Enquanto isso, milhares de jovens seguem obrigados a deixar suas famílias para buscar formação em outros municípios. Muitos não retornam. O prejuízo é coletivo.É preciso romper esse ciclo de adiamento.
Cabe aos vereadores, deputados, senadores, ao Governo do Estado e às lideranças regionais assumirem compromisso público, com cronograma, orçamento e metas. Não basta defender a ideia. É preciso executá-la.
Da mesma forma, cabe à sociedade civil sair da posição de espectadora. Nenhuma grande conquista estrutural acontece sem pressão organizada. Por isso, torna-se urgente a criação de um Comitê Pró-UNEMAT em Rondonópolis, capaz de articular entidades, movimentos, empresários, educadores, juventude e instituições.
Educação superior pública não é gasto. É investimento no futuro.
Rondonópolis não pede privilégio. Exige coerência. Uma cidade que sustenta parte relevante da economia estadual tem o direito — e a necessidade — de contar com uma universidade pública à altura de sua importância.
O futuro não espera indefinições. A UNEMAT em Rondonópolis é urgência histórica.
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João Bosco Campos, Jornalista, Administrador. Eng. Agrônomo, Escritor, Palestrante, Compositor e Cronista
Foto: Gcom