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Safra grande reacende disputa por fretes, armazéns e portos por todo País

A colheita de soja ganha velocidade no Brasil e começa a revelar um velho problema estrutural: a produção cresce mais rápido do que a capacidade logística. Com expectativa de safra acima de 180 milhões de toneladas, o país já registra embarques intensos desde fevereiro, enquanto caminhões, armazéns e corredores de exportação operam sob pressão em diferentes regiões produtoras.

O cenário ocorre ao mesmo tempo em que o mercado internacional não indica falta de produto. A Argentina enfrenta dificuldades climáticas, mas ainda sem confirmação de quebra relevante, e o mercado global começa a realizar lucros no complexo soja. Assim, a valorização em Chicago não se traduz integralmente no preço recebido pelo produtor brasileiro.

Isso acontece porque a limitação não está na demanda, mas na capacidade de escoamento. O volume físico elevado mantém os prêmios de exportação contidos e pressiona o preço FOB, principalmente para embarques imediatos. Em outras palavras: a soja tem mercado, mas tem muita soja chegando ao mesmo tempo.

O problema não é regional — ele aparece de formas diferentes ao longo do território.

No Sul, a coincidência entre a colheita da soja e do milho aumenta a disputa por caminhões e espaço nos silos. Transportadores priorizam rotas mais curtas ou mais rentáveis, elevando o custo do frete para áreas mais distantes dos portos.

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No Paraná e em Santa Catarina, cooperativas e agroindústrias conseguem absorver parte da produção internamente, mas o transporte até portos e frigoríficos concentra tensão logística. Já no Rio Grande do Sul, a concorrência direta entre grãos por armazenagem encarece o envio ao porto de Rio Grande.

No Centro-Oeste, o desafio é estrutural. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, responsáveis por parcela significativa da produção nacional, enfrentam déficit de capacidade estática de armazenagem. Em muitas regiões, a soja sai da colheita diretamente para o caminhão, sem passar por silos — sistema conhecido como “transbordo direto”.

Esse modelo aumenta a dependência imediata de transporte e eleva os fretes, especialmente nas rotas até os corredores do Arco Norte, como Miritituba (PA). Em algumas rotas, o custo logístico já opera acima do registrado no mesmo período do ano passado.

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O efeito econômico é claro: a alta da Bolsa de Chicago melhora a paridade de exportação em reais, mas apenas parcialmente. Prêmios fracos nos portos e câmbio relativamente estável retêm parte do ganho.

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Ao mesmo tempo, a indústria de esmagamento não encontra estímulo para pagar mais pela soja no mercado interno, já que a oferta abundante reduz a necessidade de disputa pelo grão. Assim, o produtor observa um fenômeno comum em anos de safra cheia — preços internacionais firmes, mas mercado físico doméstico sem reação proporcional.

A situação reforça um padrão recorrente do agronegócio brasileiro. A produtividade agrícola avança rapidamente graças à tecnologia, mas a infraestrutura cresce em ritmo mais lento. O resultado é que parte da renda do campo acaba sendo transferida para o custo logístico.

Na prática, a competitividade do Brasil continua elevada no mercado global, porém depende cada vez mais de eficiência fora da porteira. Em anos de safra cheia, não é a lavoura que define o preço final — é a capacidade de transportar a produção.

Fonte: Pensar Agro

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Reforma tributária muda planejamento e leva agro a rever custos e operações

A reforma tributária sobre o consumo começa a alterar a forma como empresas do agronegócio estruturam suas operações e projetam investimentos. Tradicionalmente mais exposto a riscos climáticos, variações de preços e custos de produção, o setor passa a incorporar um novo fator relevante na formação de margens: o impacto fiscal direto sobre fluxo de caixa, crédito e rentabilidade.

Aprovada no fim de 2023, a reforma tributária tem implantação gradual: a fase de testes começou em 1º de janeiro deste ano; em 2027 a CBS substituirá PIS/Cofins, enquanto a troca de ICMS e ISS pelo IBS ocorrerá entre 2029 e 2032, com o novo sistema plenamente vigente apenas em 2033.

Durante o período de transição para o novo modelo — baseado na unificação de tributos e na lógica de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) — a gestão tributária tende a ganhar peso equivalente ao de variáveis produtivas. A atenção deixa de se concentrar apenas nas alíquotas e passa a envolver a forma como operações são registradas, classificadas e documentadas ao longo da cadeia.

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A mudança afeta especialmente o agronegócio por sua estrutura interdependente. A produção envolve fornecedores de insumos, cooperativas, transportadores, armazenagem, processamento e exportação. Nesse ambiente, inconsistências fiscais em uma etapa podem comprometer créditos tributários nas fases seguintes, elevando custos e reduzindo a margem operacional.

Com a digitalização do novo sistema, a fiscalização deve se tornar mais automatizada e integrada entre entes federativos. O cruzamento eletrônico de dados tende a reduzir divergências interpretativas, mas também aumenta a exposição a autuações imediatas em caso de erros cadastrais, classificação incorreta de produtos ou documentação incompleta. Para empresas com grande volume de operações — caso típico do setor — eventuais bloqueios de créditos podem afetar diretamente capital de giro e planejamento financeiro.

Na prática, a rentabilidade passa a depender não apenas da produtividade agrícola ou do comportamento das commodities, mas também da capacidade de controlar créditos tributários e mensurar o custo real das operações. Processos administrativos, sistemas de informação e organização de cadastros passam a integrar o conjunto de fatores de competitividade, ao lado de tecnologia de produção e logística.

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Analistas avaliam que o período de transição deve exigir revisão de contratos, políticas comerciais e estratégias de comercialização. A tendência é de maior profissionalização administrativa nas empresas rurais e agroindustriais, com integração entre áreas fiscal, contábil e operacional. Em um setor com margens historicamente apertadas e alta volatilidade de preços, pequenas distorções fiscais podem ter impacto relevante sobre resultados.

Nesse contexto, a tributação deixa de ser apenas um componente de custo e passa a influenciar decisões de investimento, estrutura societária, escolha de fornecedores e até a localização de unidades produtivas. A adaptação ao novo modelo tende a definir parte da competitividade do agronegócio nos próximos anos, especialmente em cadeias voltadas à exportação, nas quais eficiência operacional e previsibilidade financeira são determinantes.

Fonte: Pensar Agro

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